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08.12.2017 Mensagem do Arcebispo: Imaculada Conceição: um dogma teológico e antropológico

Queridos irmãos e irmãs!

No último dia 8 de dezembro, a Igreja Católica celebrou a Solenidade da Imaculada Conceição, verdade de fé, elevada a dogma em 8 de dezembro de 1854, pelo Papa Pio IX, com a Bula “Ineffabilis Deus”. O que esse dogma significa? Antes de definir o dogma, é necessário apresentar alguns elementos da história de sua proclamação.

Em primeiro lugar, como o conceito de dogma expressa, a Igreja não “criou” tal verdade de fé nesse dia; nem podemos pensar que, só a partir do século IX a Igreja começou a crer nessa verdade. De fato, encontramos notícias de uma Constituição do Papa Sisto IV (1477) sobre a Imaculada Conceição de Maria, convidando os fiéis a que rendam graças e louvores a Deus pela admirável conceição da mesma Virgem imaculada e ofereçam as missas e os outros ofícios divinos para isto instituídos na Igreja de Deus e deles participem (DENZINGER-HÜNERMAN. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, DH 1400). Mas, já no ano de 449, o Papa São Leão Magno, escrevendo ao bispo Flaviano de Constantinopla, referindo-se à Encarnação do Verbo, explicita que “Da mãe do Senhor foi assumida (pelo Verbo, o Filho de Deus) a natureza, não a culpa” (referindo-se ao pecado original).

Na história do dogma da Imaculada Conceição encontramos escolas teológicas que se dividiam sobre afirmar ou não tal verdade de fé. Os escotistas (os que seguiam os ensinamentos do Beato João Duns Scotus, 1266-1308) defendiam a doutrina, principalmente a partir dos escritos de Duns Scotus, que afirmava a Imaculada Conceição como consequência da doutrina da redenção perfeita. Cristo redime a humanidade e isso atinge a realidade da Virgem Maria. E essa doutrina é expressa na própria Bula de proclamação do dogma: “Para a honra da santa e indivisa Trindade, para adorno e ornamento da Virgem Deípara… com a autoridade do nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e nossa, declaramos, proclamamos e definimos: a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservado imune de toda mancha da culpa original, é revelada por Deus e por isso deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis” (DENZINGER-HÜNERMAN, op. cit., DH 2803).

O ensinamento do Beato Duns Scotus é baseado nas cartas paulinas. Encontramos textos paulinas que evidenciam a realidade a Imaculada Conceição, como desejo de Deus de dar a todos os homens e mulheres tal graça: Ef 1,3-4: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda bênção espiritual nos céus, em Cristo. Nele, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e imaculados (íntegros) diante dele, no amor”. Na carta aos Romanos, tudo o que a Igreja proclama como verdade de fé sobre a Mãe de Jesus se expressa como ação contínua e interligada: Rm 8,28-30: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio. Pois aos que ele conheceu desde sempre, também os predestinou a se configurarem com a imagem de seu Filho, para que seja o primogênito numa multidão de irmãos. E àqueles que predestinou, também os chamou, e aos que chamou, também os justificou, e aos que justificou também os glorificou”.

O significado do dogma é este: por causa da missão de Maria, escolhida para ser a Mãe do Verbo Encarnado, ela é o exemplo claro e concreto da “predestinação”, isto é, Deus a prepara para essa missão. E ela recebe, de modo pleno, a redenção realizada pelo seu Filho. Não se pode esquecer que o seu Filho, Verbo feito carne, é o Filho eterno de Deus, pelo qual tudo foi criado, por meio de quem a graça e a ação divina aconteceram na vida e na história dos homens e das mulheres. Ser preparada por Deus, ser predestinada não significa que ela, Maria, não tinha liberdade. Pelo contrário, a graça de Deus realizou nela o significado da liberdade cristã: somos livres quando aceitamos que se realize em nós o que foi predestinado por Deus. E mais, o que é propriamente nosso, não é o que nós adquirimos na nossa história, mas o que nos é dado gratuitamente, por Aquele que, sendo Outro em relação a nós, nos cria para se dar a nós. Quando o aceitamos somos verdadeiramente livres. Maria viveu essa liberdade na total entrega de sua vida aos planos de Deus. Por isso, ela é a Toda santa, e nada de mácula esteve nela.

Dom Jaime Vieira Rocha - Arcebispo de Natal

Fonte: Arquidiocese de Natal

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